PELO AMOR E PELA MORTE (1994). Dir.: Michele Soavi.

 

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NOTA: 10

 

Sinopse:

Francesco Dellamorte trabalha como coveiro em um cemitério de uma pequena cidade da Itália ao lado de seu amigo Gnaghi, e leva uma vida monótona. No entanto, algo de estanho acontece no seu trabalho: depois de sete dias, os mortos ressuscitam e vagam pelo cemitério, obrigando Dellamorte a mata-los novamente. Paralelo a isso, Dellamorte conhece e se apaixona por uma jovem misteriosa que surge no cemitério, o que também causa problemas.

 

 

O último suspiro do Cinema de Horror Italiano. Assim pode ser definido PELO AMOR E PELA MORTE (1994), do diretor Michele Soavi, discípulo de Dario Argento, em sua quarta excursão na direção.

Além de ser o último filme de terror produzido na Itália, é também um dos filmes de terror mais lindos produzidos na Itália. Desde que estreou na direção, com o excelente O Pássaro Sangrento (1987), Soavi mostrou-se um diretor de mão cheia. Começou como ator em Pavor na Cidade dos Zumbis (1981), de Lucio Fulci, depois, passou a trabalhar com Dario Argento, em Tenebre (1982), como assistente de direção. A partir daí, os dois firmaram uma parceria, que resultou em Demons (1985), de Lamberto Bava, onde trabalhou como ator, Phenomena (1985), também como ator, e por fim, A Catedral (1989) e A Filha do Demônio (1991), agora como diretor. Nessa função, como mencionado acima, Soavi mostrou que tem capacidade, uma vez que seus filmes possuíam um estilo quase poético, belo, mesmo, e aqui não é diferente.

 

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Pelo Amor e Pela Morte é lindo. Uma obra de horror, amor e morte, com toques de humor negro, e também, um dos melhores filmes de zumbis de todos os tempos. Fato. Com roteiro adaptado do livro de Tiziano Sclavi, autor de Dylan Dog, o filme é, sem duvida, um dos melhores do gênero.

Diferente dos zumbis criados por Lucio Fulci, os zumbis de Soavi são mais “limpos”, vamos dizer assim, uma vez que os corpos estão “frescos”, saindo dos túmulos apenas sete dias após o sepultamento. Então, aqui, os cadáveres ainda têm pele, olhos, mãos, são brancos, enfim, estão completos; porém, ainda comem carne humana, o que resulta em mais problemas para o protagonista.

Interpretado pelo ator britânico Rupert Everett, Dellamorte é o típico personagem loser. Alto, magro, sempre de roupas pretas e expressão triste, ele não parece em nada com os típicos heróis do cinema de horror; talvez, seja até um anti-herói. Vive ali, naquele cemitério velho, rodeado de lapides e cruzes, ao lado de seu amigo Gnaghi, um baixinho com mentalidade infantil, alheio à vida, sempre cabisbaixo, enfim… Alguém que se cansou da vida.

 

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Talvez seja um retrato de como era o cinema de horror naquela época. Nos anos 90, o terror passou por um baque. As grandes produções já não existiam mais, eram produzidos filmes de qualidade duvidosa, muitos deles direto para o home vídeo, e o publico já não se interessava pelo gênero. Havia uma explicação para isso, a própria mudança no cenário social, em razão do fim da União Soviética, que o presidente Ronald Reagan jurou destruir em seu mandato. Então, ao que parece, as pessoas esperavam que o mundo iria mudar, que talvez um apocalipse iria surgir, por causa de uma provável guerra, enfim. Então, como nada disso acabou acontecendo, o mundo mergulhou num vazio que acabou refletindo no gênero, até a chegada de Pânico, de Wes Craven, em 1996. As informações mencionadas foram obtidas graças aos comentários de Marcos Brolia, em seu site, 101 Horror Movies.

No entanto, além de ser um perdedor completo, não é difícil sentir pena de Dellamorte. Mesmo preso à sua rotina, ele se mostra também um sujeito simpático, sempre disposto a ajudar Gnaghi no serviço, além de tentar ser um bom cidadão, mesmo que nunca visite a cidade, nem veja a cara das outras pessoas. E como todo ser humano, quer também encontrar o amor. E isso acontece, quando uma jovem misteriosa chega ao cemitério. Dellamorte se apaixona por ela a primeira vista, e rapidamente, eles iniciam um breve romance, que termina de forma trágica, o que acaba trazendo consequências para Francesco.

 

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Como todo filme de horror produzido na Itália, Pelo Amor e Pela Morte possui imagens belíssimas. Difícil dizer qual a mais bonita, porém, posso destacar a minha favorita, quando o Anjo da Morte surge para Dellamorte. É uma cena linda, construída com maestria, com uma bela trilha sonora, e em câmera lenta, do jeito que Soavi sabia fazer. A caracterização do Anjo da Morte também não fica atrás: um esqueleto gigante, com sua capa preta, asas negras, e segurando sua foice. Não me lembro de ter visto uma caracterização tão linda e tão perfeita; só perde para as representações da Idade Média.

Além de ser um filme de terror, é também uma comedia de humor negro, e como todo o resto, é brilhante. Não me refiro a humor físico, com os personagens caindo toda hora; falo de momentos onde a comedia surge naturalmente, onde os personagens mostram que não são perfeitos, e podem errar, como todos nós. Isso vale para os vivos e principalmente para os mortos. Os zumbis se mostram tão desastrados, sempre cambaleando e esbarrando uns nos outros, principalmente quando estão juntos.

 

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E claro, pode também ser considerado uma historia de amor, seja pelo paragrafo mencionado anteriormente, seja pelo ajudante Gnaghi com a filha do prefeito, principalmente depois que ela volta dos mortos. Os dois passam o tempo juntos na casinha dele, cantando uma canção fofa, rindo e fazendo declarações de amor, tudo da forma mais inusitada possível, uma vez que a garota está sem o corpo! Ou seja, é apenas uma cabeça com véu de noiva, porque foi enterrada com vestido de noiva! Vai saber o motivo. O importante é que esses são os melhores momentos do filme, e chegam a ofuscar Dellamorte em certo ponto.

Ainda sobre a historia de amor entre Dellamorte e a garota misteriosa, que é apresentada apenas como “Ela”, o seguinte. Ela surge três vezes, em formas diferentes, todas interpretadas pela mesma atriz. É quase como uma fantasia do próprio personagem, como se todas as mulheres bonitas tivessem o mesmo rosto e se apaixonassem por ele imediatamente, a típica ilusão de quem vive em seu próprio mundo. Seja como for, o importante é que é o tipo de coisa que não precisa de explicação, apenas acontece, e com naturalidade.

 

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O mesmo vale para o principal fenômeno apresentado: a ressurreição dos mortos, sete dias após o sepultamento. Conforme o próprio Dellamorte explica no começo do filme, não fica claro se é um fenômeno restrito apenas àquela cidade, ou se está acontecendo em outros lugares, ou por que está acontecendo. Na verdade, não importa também. Aquilo está acontecendo, e pronto.

E como todo o filme, os demais personagens também são estranhos: o policial que visita o cemitério regularmente; Franco, o ex-colega de Dellamorte; o prefeito da cidade; e uma senhorinha que também visita o cemitério. Todos são esquisitos e engraçados, até, cada um com sua esquisitice.

Como mencionado no inicio, o filme é baseado em um livro de Tiziano Sclavi, que tornou-se conhecido por ser o criador de Dylan Dog, o detetive sobrenatural italiano que apareceu em vários gibis produzidos no país. Talvez não seja novidade que o personagem ganhou uma péssima adaptação para o cinema nos anos 2000 – que é bem ruim mesmo. No entanto, o filme de Soavi também pode ser considerado uma tradução do universo de Dylan Dog para o cinema, mesmo que tenha vinho antes do gibi. Talvez, seja a melhor tradução do personagem para o cinema.

Chegou a ser lançado em VHS por aqui, mas permaneceu raro durante anos, até ser lançado em DVD pela Versátil Home Vídeo, em excelente versão restaurada, na maravilhosa coleção Obras-Primas do Terror 2.

 

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Crédito: VHS – O Último Reduto

 

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Crédito: Versátil Home Vídeo

 

Enfim, Pelo Amor e Pela Morte é um filme excelente. Uma bela historia de horror, amor e morte com toques de humor negro. O ultimo filme de terror produzido na Itália. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Maravilhoso.

Altamente recomendado.

 

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Pelo Amor e Pela Morte (1994)

 

 

 

Agradecimentos: 101 Horror Movies.

 

 

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