ZOMBIE (1979). Dir.: Lucio Fulci.

 

 

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NOTA: 10

 

 

Sinopse:

A guarda costeira de Nova York recebe um chamado para investigar um veleiro abandonado. Chegando lá, eles são atacados por um zumbi. Ao mesmo tempo, o repórter Peter West decide ajudar Anne Bowles a encontrar seu pai, que está em uma ilha do Caribe. Ao lado de um casal em férias, West e Anne chegam à ilha, onde são recebidos pelo Dr. Menard, que está investigando casos de mortos que voltam à vida como zumbis.

 

 

ZOMBIE (1979) é a Obra Máxima de Lucio Fulci, o Padrinho do Gore. Mais do que isso, é um filme que merece destaque em todas as listas dos maiores filmes de zumbi de todos os tempos.

Zombie é excelente, sem duvida, um dos melhores do gênero. É difícil dizer qual o melhor momento, mas o fato é que, quando o terror começa, não poupa ninguém.

Como já mencionei anteriormente, desde que resolveu se aventurar no terror, Fulci mostrou-se um mestre no gênero, e neste filme, ele mostrou toda sua força. Isso é fato.

Se parar pra pensar, o filme apresenta uma historia simples, até, mas é nessa simplicidade que está o brilhantismo. Fulci conseguiu fazer coisas espetaculares, dignas de estudo, não só do gênero de horror, mas do cinema em geral. O diretor mostra-se um mestre com a câmera, e seus enquadramentos são maravilhosos, desde a primeira cena.

 

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Não apenas a direção de Fulci merece destaque, como também a edição de Vincenzo Tomassi. Novamente, desde a primeira cena, o filme é um primor, e nesse caso, também não é diferente. Tomassi conseguiu editar as cenas aéreas do veleiro em Nova York muito bem, intercalando com tomadas mais fechadas, e isso continua conforme a cena avança, culminando em um dos momentos mais memoráveis do filme, o surgimento do primeiro zumbi. Já vi muitas sequencias de abertura bem feitas antes, e com certeza, essa é uma delas.

A trilha sonora, composta por Fabio Frizzi e Giorgio Tucci também merece ser mencionada. Em alguns momentos, o tema musical é um tanto diferente para um filme do gênero; na verdade, parece de filme de ação; no entanto, quando surgem os tambores, aí a coisa muda de figura. O tema causa calafrios na espinha, e não fica cansativo; o mesmo vale para os outros temas musicais. É também o tipo de musica que fica na nossa cabeça, e quando toca, rapidamente, nos lembramos do filme.

 

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E claro, como em todo filme de terror, a ambientação contribui. A ilha de Matul é um lugar abandonado, às moscas mesmo. As casas dos nativos estão caindo aos pedaços; pedaços de troncos estão espalhados; caranguejos andam pelas ruas, enfim… o cenário de um apocalipse. Mas de todos, o mais impressionante é a velha igreja, convertida em hospital. O lugar não passa a sensação de conforto, pelo contrario, chega a ser pior que o próprio vilarejo. O engraçado é que a casa do Dr. Menard é toda arrumada, localizada numa parte bacana da ilha… Detalhes que não merecem explicação, conforme mencionarei adiante. O fato é que o aspecto abandonado da ilha contradiz contra a beleza da cidade de Nova York, mostrada no inicio do filme.

Sendo cria do cinema de horror italiano, Zombie contem cenas absurdas, e a melhor delas, sem duvida, é a cena de luta entre um zumbi e um tubarão. Não sei da onde os roteiristas tiraram essa ideia, mas o fato é que é uma cena bem legal de se ver, além de ser visualmente bem filmada. A cena foi filmada por Ramon Bravo, autor e cinegrafista mexicano, que em 1977, foi responsável pelas cenas submarinas de Tintorera, do diretor René Cardona Jr. Como fizera na cópia mexicana de Tubarão, Bravo executou um excelente trabalho, que chega a ser convidativo até. O mesmo vale para a cena de luta entre o zumbi e o tubarão. O zumbi foi interpretado pelo próprio Bravo, que também foi o treinador do tubarão. Isso explica talvez a naturalidade da cena. Sem dúvida, é uma das cenas mais memoráveis do filme. E existe outra, talvez a mais absurda, mas, na minha opinião, não afeta em nada o filme.

 

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Claro, não posso deixar de mencionar os zumbis. Criados pelo Maestro Gianneto de Rossi, esses são os melhores zumbis que já apareceram em um filme. Falo de zumbis putrefatos, com vermes saindo dos buracos dos olhos, andando devagar, com gosma branca e verde escorrendo da boca, roupas maltrapilhas… Enfim, um trabalho de gênio. Talvez, para os mais exigentes, possa parecer estranho que estejam tão bem assim, até porque, são corpos de conquistadores espanhóis do século XVI, mas, pessoalmente, eu não ligo pra isso. Os zumbis são excelentes, e ponto. Difícil dizer qual o mais assustador, mas o melhor é o que ilustra o pôster do filme, e que arranca a garganta de uma das personagens a dentadas. Uma cena brilhante, tanto pela construção, como pelos efeitos de maquiagem. Sério, de Rossi faz um trabalho espetacular, que compete até com os efeitos criados por Tom Savini nos filmes do saudoso George A. Romero. Além dos zumbis, de Rossi nos presenteia com corpos despedaçados, tripas expostas, mordidas e tiros de cair o queixo. Mas, o melhor fica para a cena da lasca. Conforme mostraria no futuro, Fulci tinha “fetiche” por olhos, e na cena da lasca, ele dá uma amostra do seu poder. É uma cena construída lentamente, de forma que o espectador fica tentado a acompanhar, mas ao mesmo tempo, quer tapar os olhos, porque imagina que o final não vai ser bom. E não vai ser bom, mesmo. Uma cena brilhante, inesquecível.

 

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O filme foi escrito por Dardano Sachetti – não creditado – e Elisa Briganti, e como mencionado acima, é brilhante. Não existem falhas na historia, nem furos de roteiro. A única pista dada, mesmo sutilmente, é que os zumbis são trazidos de volta graças ao vodu, o que difere dos zumbis criados por Romero, que voltam graças à radiação. Aqui, os roteiristas aproveitaram a origem dos monstros, que eram trazidos de volta graças à um feitiço vodu, e eram usados para trabalhar em lavouras e plantações. Claro que aqui não é isso que acontece. Os zumbis voltam famintos por carne e a carnificina é grande.

 

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O filme também marca o inicio da parceria entre Fulci e o produtor Fabrizio de Angelis, que trabalhariam juntos em toda a grande fase do diretor. De Angelis, conforme ele mesmo relata, demonstrou interesse em trabalhar com Fulci, mesmo sabendo de seu temperamento; ele também descreveu a rotina de filmagens como tranquila, com todos se relacionando bem entre si, e também como foi gravar a famigerada e até hoje comentada última cena. De Angelis também declarou que ele foi o responsável por vender o filme para os Estados Unidos, conforme era feito naquela época: o produtor negociava com a distribuidora americana, e vendia o filme, por meio de um resumo da historia ou às vezes, apenas pelo titulo. E também, segundo o próprio, ele e a equipe forma processados por Dario Argento, por lançarem o filme com o título Zumbi 2, como se fosse uma continuação do Clássico O Despertar dos Mortos, que Argento produziu junto com Romero no ano anterior. Mas isso acabou resolvido.

 

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Não sei se chegou a ser lançado em VHS por aqui, mas chegou a ser lançado em DVD há alguns anos; mas, mesmo assim, permaneceu raro, até que foi finalmente lançado em DVD, em excelente versão restaurada sem cortes, pela Versátil Home Vídeo, na maravilhosa coleção Zumbis no Cinema Vol.3.

 

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Créditos: Versátil Home Vídeo

 

Recentemente, ganhou uma também excelente versão restaurada em 4k, lançada em Bluray pela Blue Underground, que já lançara o filme anteriormente. Essa versão restaurada vem acompanhada com três modelos de capa, todos muito bem feitos.

 

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Zombie é considerado um dos Filmes Mais Assustadores de todos os tempos, ocupando a 98ª posição na lista do Bravo’s 100 Scariest Movie Moments, e a 41ª posição na lista dos 100 Filmes Mais Assustadores da História, criada pela extinta Revista SET em 2009.

 

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Arquivo pessoal

 

Enfim, Zombie é um Clássico. Um dos maiores filmes de zumbis de todos os tempos. Um dos filmes mais assustadores de todos os tempos. A obra máxima de Lucio Fulci. Clássico absoluto, obrigatório.

Altamente recomendado.

 

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Zombie (1979)

 

 

 

 

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