O MONSTRO DO MAR REVOLTO (1955). Dir.: Robert Gordon.

 

 

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NOTA: 10

 

 

Sinopse:

Durante um mergulho de rotina, o submarino do Capitão Pete Matthews é atacado por algo desconhecido. Intrigado, ele pede ajuda os doutores Leslie Joyce e John Carter, que, após dias de pesquisas, determinam a causa: o submarino foi atingido por um polvo gigante radioativo, trazido à superfície por causa de testes nucleares. Após um cargueiro ser atacado, os três informam a Marinha e o Exército que a ameaça deve ser contida, antes que faça novas vitimas e destrua a cidade.

 

 

 

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O MONSTRO DO MAR REVOLTO é excelente. Lançado em 1955, é mais uma cria do “cinema radioativo” da década de 50, que nos trouxe obras como Tarântula, O Mundo em Perigo, Earth vs the Spider, O Começo do Fim, entre outros.

Mas o que o torna um filme tão maravilhoso? Bem, para começar, a historia. Como todo produto daquela época, é uma historia simples, até, com tudo que tem direito: o monstro radioativo, os cientistas determinados a descobrir a causa de sua existência, o Exército mobilizado para destruí-lo e, claro, a população da cidade correndo em pânico. O filme tem tudo isso, e mais. Realmente, é um daqueles filmes que fica melhor a cada vez que assistimos, e fica mesmo. E o melhor de tudo é que o filme não tem falhas. É um filme redondinho, com roteiro bem amarrado.

E assistindo, fica claro o porquê disso tudo. Em nenhum momento, a trama é falha, arrastada, desconexa; é perfeitamente linear, indo do ponto A ao ponto Z, com tudo acontecendo do jeito certo, no momento certo, o que rende cenas memoráveis – mais sobre isso adiante.

Além de ser redondinha, a trama também é crível, inclusive a questão da Bomba H, que no filme, funciona muito bem. O que importa é que os personagens parecem de fato, cientistas e militares. Sério. Não é difícil acreditar que o Capitão Pete Matthews é um militar de verdade; que Leslie e Carter são cientistas, e por aí vai. As atuações ajudam nessa impressão. Nenhum dos atores é canastrão, ou atua mal; pelo contrário.

 

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Os aspectos técnicos também funcionam. O diretor Robert Gordon preenche a tela com cenas bem filmadas, que combinam muito bem com materiais de arquivo, técnica comum no cinema daquela época. Gordon utiliza imagens de arquivo de submarinos, navios sendo abatidos e testes com bombas. Isso, combinado com as cenas do filme, não fica falso. Os efeitos em cromaqui também funcionam. É o tipo de efeito que eu gosto muito, efeitos ópticos, onde os personagens aparecem “destacados” da tela. Efeitos assim são muito melhores do que os efeitos de hoje em dia.

O melhor sobre esse filme, além do que já foi mencionado, é que o tipo de filme que dá pra assistir de uma tacada só. A historia é tão rápida que em pouco tempo, o filme já acabou. E dá pra se divertir. Quer dizer, eu não sou do tipo que fica dando risada, apontando pra tela, vendo o quão “malfeito” ele é; pelo contrário, eu me divirto muito vendo aquele polvo gigantesco atacando a cidade de San Francisco, destruindo a pote Goden Gate e esmagando a população com seus tentáculos. É o tipo de filme que eu gosto de ver para me distrair e me divertir.

 

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Já comentei sobre os personagens, mas, não posso deixar de falar sobre eles detalhadamente. O Capitão Pete Matthews é o típico Capitão da Marinha Americana. Um homem determinado, sempre disposto a servir o país e talvez se sacrificar pela tripulação de seu submarino. A Dra. Leslie Joyce é talvez a melhor personagem do filme. Ao contrario das personagens femininas de sempre, ela mostra-se uma mulher a frente de seu tempo, que não aceita ajuda de nenhum homem e quer provar que também pode ser tão capaz quanto eles. E ela consegue. E por fim, seu colega John Carter. Assim como Leslie, ele também é determinado a sua causa, e apoia as opiniões da colega e também a respeita, o que é muito importante. Juntos, eles formam uma espécie de “triangulo amoroso” em certos pontos da historia, mas, fica claro que o romance entre Matthews e Leslie é o mais evidente. E o legal, é que não atrapalha em nada o andamento da historia.

 

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Não posso concluir esse texto sem deixar de mencionar o Polvo.

Ele é, sem duvida, a melhor coisa do filme inteiro. Gigantesco, com seus tentáculos enormes, que deslizam pela cidade de San Francisco, destruindo os prédios, esmagando as pessoas, ou então, envolvendo os barcos, para leva-los para debaixo d’água. Posso dizer, com toda certeza, que ele é muito melhor que qualquer criatura digital do cinema de hoje. Tudo isso graças aos efeitos especiais do saudoso Mestre Ray Harryhausen, mestre da animação Stop-Motion. A animação de Harryhausen é perfeita, e em momento nenhum, passa a sensação de ser falsa; pelo contrario, é possível acreditar que o polvo é real, e está causando todos aqueles estragos. Difícil dizer qual cena é a melhor, porque ele brilha em todas elas. Mas, sem duvida, a mais icônica, é quando ele ataca a ponte Golden Gate, em San Francisco. É uma cena muito bem feita, como todas envolvendo o monstro. E quando ele surge, enche a tela com sua monstruosidade e sua beleza. Um belíssimo monstro marinho. É a minha criatura favorita de Harryhausen.

 

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Ray Harryhausen foi um mestre na arte da animação Stop-Motion, que consiste no lento processo de animar um frame por vez e fotografar, animar um frame e fotografar… Um processo lento e demorado. Harryhausen começou como discípulo de Willis O’Brien, responsável pelo inesquecível King Kong (1933). Juntos, eles foram responsáveis pela animação do macaco de Mighty Joe Young (1949), filme de aventura inspirado em King Kong. Entre seus outros trabalhos, destacam-se A Sétima Viagem de Sinbad (1958), A Ilha Misteriosa (1961), Jasão e o Velo de Ouro (1963), o excelente O Vale de Gwangi (1969) e Fúria de Titãs (1981), seu último trabalho antes de se aposentar. Suas criaturas tornaram-se referencia para o cinema de fantasia, e seu trabalho é reverenciado por cinéfilos e cineastas até hoje; um de seus maiores admiradores é o diretor Tim Burton, que prestou varias homenagens à ele em seus filmes. Harryhausen faleceu em 7/mai/2013.

 

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Ray Harryhausen

 

O filme foi lançado em DVD no Brasil em 2007, numa edição com dois discos, com vários extras, entre eles, um bate-papo entre Harryhausen e Tim Burton. O primeiro disco apresenta o filme em versão original em preto e branco e versão colorida, supervisionada por Harryhausen. O filme fez parte de uma coleção de três filmes de Harryhausen, que contou também com A Invasão dos Discos Voadores (1956) e A Vinte Milhões de Léguas da Terra (1957). Atualmente, o DVD está fora de catálogo.

 

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Arquivo pessoal

 

Os polvos gigantes voltariam ao cinema no ótimo Tentáculos (1977), trash italiano lançado no sucesso de Tubarão (1975), e depois em Octopus (2000) e Octopus 2 (2001), duas bobagens lançadas direto para vídeo.

Enfim, O Monstro do Mar Revolto é um filme excelente. Um pequeno Clássico da Ficção Científica. Um dos melhores filmes de monstros de todos os tempos. Excelente. Maravilhoso.

 

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O Monstro do Mar Revolto (1955)

 

 

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