NOTA.

 

 

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Faleceu na última quarta-feira (19/fev), o ator e cineasta José Mojica Marins, o criador e interprete do personagem Zé do Caixão. Graças ao sucesso do personagem, Mojica tornou-se o pai do cinema de terror brasileiro, e conquistou legiões de fãs e admiradores, principalmente no exterior, sendo admirado por cineastas como Roman Polanski, Steven Spielberg, Roger Corman e Tim Burton.

Nascido em São Paulo, desde cedo, Mojica mostrou interesse pelo cinema. O pai era gerente de um cinema, onde ele próprio passava horas assistindo aos filmes exibidos, além disso, também ganhou do pai, sua primeira câmera.

Nos anos 50, rodou seus primeiros filmes, um faroeste e um drama. Mesmo sem ter estudo formal em Cinema, Mojica já se mostrava um especialista na arte de enquadramentos e roteiros.

Em 1963, o personagem Zé do Caixão foi criado, após Mojica ter um pesadelo, em que era arrastado até uma cova por uma figura sinistra de capa preta.

O personagem estreou no cinema em À Meia-Noite Levarei Sua Alma, que se tornou o primeiro filme de terror brasileiro. Repleto de originalidade, o filme tornou-se um sucesso de bilheteria, o que motivou Mojica a lançar uma continuação, Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, lançado em 1967. O filme possui uma das mais espetaculares e originais cenas do cinema: o delírio de Zé do Caixão no Inferno gelado, todo rodado em cores.

Nos anos seguintes, Mojica voltaria a interpretar o personagem em outros filmes, como O Estranho Mundo do Zé do Caixão (1967), Inferno Carnal (1976) e O Despertar da Besta (1969).

À Meia Noite Levarei Sua Alma possui uma das maiores introduções do cinema de todos os tempos, o monologo de Zé do Caixão sobre a vida e a morte:

 

 

“O que é a vida? É o principio da morte? O que é a morte? É o fim da vida. O que é a existência? É a continuidade do sangue? O que é o sangue? É a razão da existência!”

No entanto, apesar do sucesso dos filmes, Mojica também foi uma vitima da Censura Militar, durante a época da Ditadura, o que o levou a alterar o final de Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, onde Zé do Caixão é obrigado a reconhecer Deus como seu salvador, o que era totalmente contrario à concepção do personagem. O filme O Despertar da Besta também foi prejudicado pela Censura, tendo recebido cortes, e lançado com o título O Ritual dos Sádicos.

Infelizmente, Mojica passou por dificuldades nas décadas seguintes, tendo que dirigir filmes para a Boca do Lixo, que se tornara um refúgio para o cinema independente, entre o final dos anos 60 e começo dos anos 80. Também se aventurou nas famosas pornochanchadas, que tomaram o cinema brasileiro nos anos 80, além de dirigir duas produções de sexo explicito, uma delas com cenas de zoofilia.

 

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Nos anos 90, a filmografia de Mojica foi levada para os Estados Unidos e para a Europa, onde conquistou uma legião de fãs e admiradores, algo que nunca conseguiu no Brasil. Entre seus admiradores, estavam os cineastas Roger Corman e Roman Polanski. No exterior, o personagem Zé do Caixão ficou conhecido como Coffin Joe, além de se tornar o “Brazilian Boogeyman”. Mojica também apareceu em programas de TV americanos, como o Jon Stewart Show, em 1994.

Foi também nessa época que Mojica passou a se aventurar na televisão, apresentando programas como o Cine Trash, da Rede Bandeirantes, onde aparecia caracterizado como seu personagem mais famoso. Foi também nos 90 que Zé do Caixão tornou-se uma espécie de piada para o publico brasileiro, uma vez que Mojica aparecia vestido como o personagens em shows de bandas de rock e em parques temáticos, como a “Noite de Terror” do Playcenter.

Mesmo assim, Mojica nunca desistiu de tentar um retorno para o cinema. Em 2008, após quase cinquenta anos, o cineasta pôde finalmente completar a Trilogia do Zé do Caixão, com o filme Encarnação do Demônio. Nos anos seguintes, Mojica também dirigiu outros projetos, a maioria, curtas-metragens, entre eles, um episodio da antologia Fábulas Negras.

Em 2014, conheceu o diretor Tim Burton, que esteve de passagem pelo Brasil, para a estreia de sua exposição. Burton era um dos maiores fãs de Mojica, tendo acompanhado sua filmografia há anos. Nos 70, Mojica esteve ao lado de Christopher Lee, o maior interprete de Drácula no cinema.

José Mojica Marins deixa um legado importante para o cinema, não apenas para o cinema brasileiro, mas para o cinema em geral. Mojica era um exemplo clássico de que não era preciso um grande orçamento para fazer um grande filme; e que é possível fazer cinema no Brasil mesmo sem estudar Cinema. Um cineasta que usou a criatividade e a originalidade a seu favor.

Assim como outros grandes criadores, Mojica ficou para sempre ligado ao seu maior personagem, Zé do Caixão.

Seus filmes estão entre os mais assustadores de todos os tempos e estão presentes em todas as listas dos maiores filmes brasileiros de todos os tempos.

Um verdadeiro Mestre do Terror.

Fica aqui a homenagem do Livros & Filmes de Horror à José Mojica Marins, o Zé do Caixão.

 

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