SEXTA-FEIRA 13 (1980). Dir.: Sean S. Cunningham.

NOTA: 9

Sinopse:

Um grupo de jovens vai até o Acampamento Crystal Lake para auxiliar na reforma do local, que estava desativado há muitos anos. O que eles não sabem é que há um assassino nos arredores, que começa a emiliná-los, um por um, a fim de evitar a reabertura do lugar.

Não há a menor duvida que Halloween, A Noite do Terror (1978), de John Carpenter, é o maior e melhor exemplar do gênero Slasher, até porque ele foi o primeiro a introduzir as regras que hoje são obrigatórias no gênero: Não faça sexo; não use drogas; nunca diga “Eu voltarei”, entre outras, sendo a principal, a figura do assassino mascarado que não morre.

Pois bem, eis que dois anos depois, outro filme se tornaria um clássico do gênero: SEXTA-FEIRA 13, dirigido por Sean S. Cunningham, e responsável por apresentar um novo ícone do terror: Jason Voorhees, o assassino de Crystal Lake. Mas, vamos com calma. Na verdade, o personagem só daria as caras de fato no filme seguinte, lançado um ano depois. Aqui, o assassino é outra pessoa. Mas, vamos por partes.

A ideia para o projeto partiu do diretor Sean S. Cunningham, que até então, era diretor de filmes infantis e de esporte, que não foram bem de bilheteria; além disso, Cunningham também o produtor do ultra-violento Aniversário Macabro (1972), filme de estreia do saudoso Wes Craven. Como seus trabalhos anteriores não deram retorno nas bilheterias, o diretor resolveu investir em outro gênero, então optou por fazer um filme de terror. E o filme que o inspirou foi justamente do filme de John Carpenter.

Na verdade, conforme o diretor conta, ele não tinha nem ideia de como fazer um filme de terror, mas mesmo assim, pediu para que a Variety publicasse um anuncio que dizia: “Friday the 13th, The Most Horrifying Film Ever Made!”, sendo que a única coisa que era de fato concreta era o título, novamente inspirado na ideia de uma data comemorativa, a exemplo de Halloween. O próximo a embarcar foi o roteirista Victor Miller, que já trabalhara com o diretor anteriormente. Miller foi ao cinema assistir ao filme de Carpenter, e de lá já descobriu as “regras” para se montar um filme do gênero Slasher.

As demais historias de bastidores se divergem. Uma delas diz que o diretor tinha contato com membros da Máfia de Chicago, que o ajudaram a conseguir dinheiro para o filme; outra fala que o diretor teve a ideia para o filme após assistir ao filme Banho de Sangue (1971), do Maestro Mario Bava, que foi exibido em uma sessão dupla com Aniversário Macabro, com o bizarro título de Last House on the Left II, sendo que foi lançado um ano antes do filme de Wes Craven. Na verdade, existem fãs do gênero que dizem que Sexta-Feira 13 é idêntico ao filme de Bava. Eu pessoalmente não acho. Acredito, sim, que Cunningham deva ter se inspirado no filme de Bava, mas não tinha a intenção de copiá-lo quadro a quadro.

Bom, seja como for, o fato é que Sexta-Feira 13 é um grande exemplar do Slasher, e também um dos melhores filmes do gênero, a começar pelo próprio roteiro. O roteirista Victor Miller admite que foi inspirado pelo filme de John Carpenter, mas a própria narrativa é bem diferente. Uma coisa que os dois filmes têm em comum é a estrutura. Ambos são mais focados na atmosfera do que nos assassinatos, apostando mais no suspense, deixando o gore para depois. Conforme já disse varias vezes, é o tipo de filme que eu gosto muito, porque investe mais na construção do ambiente e dos personagens, do que nos assassinatos; e temos um grande intervalo entre eles, algo que infelizmente não funciona hoje em dia, com as plateias mais acostumadas com o gore e a violência chocante explicita.

E o suspense toma conta do filme do começo ao fim. O diretor e o roteirista não poupam o espectador de cenas angustiantes, que conseguem deixar qualquer um com vontade de roer as unhas ou pular da cadeira. Eu mesmo já vi o filme várias vezes e sempre fico nervoso nessas cenas, principalmente no final, quando o assassino é revelado e começa a caçar a ultima sobrevivente pelo acampamento. Se no filme de John Carpenter isso já funcionou bem, aqui também não é diferente.

A direção de Cunningham é segura e experiente. O diretor e o diretor de fotografia fazem um belo trabalho, e seus ângulos e tomadas do acampamento são muito bem feitos, principalmente quando adotam a câmera como POV do assassino. São realmente cenas bem filmadas e enquadradas, e bem editadas, principalmente à noite, quando o acampamento é tomado por uma tempestade. Novamente, é um exemplo de como os filmes de terror eram mais focados nesse aspecto, o da atmosfera.

No entanto, apesar de ter sido influenciando por Halloween, Sexta-Feira 13 é diferente em uma coisa: os efeitos especiais. Enquanto o filme de Carpenter não tinha quase nenhuma gota de sangue, aqui a coisa foi bem diferente. Aqui nós temos assassinatos sangrentos, com o gore jorrando na tela. E cada um consegue ser mais cruel que o outro. O responsável pelos efeitos especiais foi o mestre Tom Savini, que já possuía uma carreira no cinema de terror, sendo mais conhecido por ser o colaborador do saudoso George A. Romero nos seus filmes de zumbis. Savini havia trabalhado anteriormente em O Despertar dos Mortos, lançado dois anos antes, e já mostrara seu talento; e aqui não foi diferente. Os efeitos especiais de maquiagem são espetaculares e vão dos mais simples aos mais elaborados. Difícil dizer qual o melhor, mas os meus favoritos são o da fecha e do machado. Uma aula de maquiagem, tudo feito com efeitos práticos.

Conforme mencionei acima, a franquia Sexta-Feira 13 foi a responsável por introduzir o personagem Jason Voorhees na cultura pop, transformando-o no maior vilão do cinema Slasher de todos os tempos. No enranto, quem dá as facadas no primeiro Sexta-Feira 13 não é o Jason, e sim, sua mãe, Pamela Voorhees, motivada pela vingança por terem deixado seu filho se afogar no lago no passado. E a Sra. Voorhees, toca o terror, eliminando os jovens um por um com requintes de sadismo e crueldade. É uma personagem excelente, uma das melhores do gênero Slasher, e tudo se deve a interpretação da atriz Betsy Palmer, que na época já não era um rosto tão conhecido no cinema, e, segundo ela mesma diz, estava precisando de dinheiro; inclusive, quando leu o roteiro, a atriz detestou o projeto, mas acabou aceitando o papel.

Sexta-Feira 13 foi lançado em 1980, e tornou-se um sucesso de bilheteria. Tornou-se também o primeiro filme Slasher a ser distribuído por um grande estúdio, no caso, a Paramount Pictures, que foi a responsável pela distribuição nos Estados Unidos, enquanto que no exterior, inclusive no Brasil, o filme foi distribuído pela Warner Bros. O sucesso do filme foi o responsável pelo surgimento das sequencias, cujo primeiro filme saiu no ano seguinte. Atualmente, a franquia conta com mais de dez filmes, incluindo o crossover com Freddy Krueger em Freddy X Jason (2003). Há muito tempo, surgiram rumores de um novo filme, mas, devido a uma batalha de direitos, isso não foi possível, uma vez que não se sabe qual estúdio detêm os direitos da franquia, uma vez que em determinado momento, a Paramount largou a franquia. Se haverá um novo filme ou não, acredito que nunca saberemos.

Foi lançado em VHS e DVD no Brasil, mas atualmente está fora de catalogo.

Enfim, Sexta-Feira 13 é um filme assustador. Uma historia redonda, com uma trama de verdade, simples, mas que consegue assustar. Os efeitos especiais de Tom Savini são um dos destaques do filme. Um dos maiores Slashers de todos os tempos. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Um Clássico dos Slashers.

Sexta-Feira 13 (1980)

Acesse também:

https://livrosefilmesdehorror.blogspot.com/

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