SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 2 (1981). Dir.: Steve Miner.

NOTA: 9

Sinopse:

Cinco anos após o massacre em Crystal Lake, um novo acampamento está prestes a ser aberto, nas proximidades do local. Paul Holt, supervisor do novo acampamento, reúne todos e conta a eles a respeito da lenda de Jason, o garoto que se afogou em Crystal Lake nos anos 50, mas eles não acreditam e dão início aos treinamentos. No entanto, eles não sabem que Jason está vivo e pronto para eliminá-los, um por um.

Segundo os produtores do primeiro Sexta-Feira 13, nunca houve a intenção de produzir uma sequência, muito menos de apresentar o personagem Jason, uma vez que no primeiro filme, quem distribui as facadas é sua mãe, Pamela Voorhees, que estava disposta a se vingar dos conselheiros pela morte de seu filho. Bom, até aí, tudo bem, mesmo porque o primeiro filme tinha uma história redondinha, com começo, meio e fim. No entanto, como sabemos, o final dá uma dica para uma possível continuação, agora focada no garoto que se afogou em Crystal Lake.

Bom, dito e feito. No ano seguinte ao lançamento de Sexta-Feira 13, fomos brindados com a sequência. Mas não se engane. SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 2 é tão bom quanto o primeiro, e o melhor de tudo, seguiu os passos do primeiro e se tornou um filme ainda focado na tensão e no suspense, ao invés do banho de sangue. Mas isso não significa que o filme não tenha sangue. Mas, vamos falar sobre isso adiante.

O fato é que o filme é um dos melhores da franquia, e o meu favorito, talvez por ser um dos primeiros que eu vi, não me recordo bem. Mas seja como for, é um filme que eu gosto muito e me divirto toda vez que assisto.

Mas por que ele é tão bom? Pessoalmente, além dos detalhes mencionados acima, eu diria que é porque é bem escrito e bem dirigido, além de contar com bons atores que dão vida a personagens convincentes; mas, principalmente, eu diria que o filme é muito bom por causa de Jason, aqui em sua primeira aparição real na franquia. Mas, vamos por partes.

O roteiro, escrito por Ken Rutz, é redondo, com uma ótima trama focada no suspense nos primeiros atos, para depois focar nos assassinatos, assim como foi feito no primeiro filme. Como eu já disse várias vezes, é um tipo de filme de terror que eu gosto muito, uma vez que prepara o espectador para o que virá no futuro, e constrói o suspense de maneira convincente. Infelizmente, como sabemos, não é mais assim que se faz filmes de terror hoje em dia, então, é um ponto positivo. Outro é a direção de Steve Miner, aqui estreando. O diretor conseguiu fazer um ótimo trabalho, e as cenas são muito bem dirigidas, com ótimos enquadramentos e planos abertos. O elenco também não fica atrás. Assim como no primeiro filme, aqui, nós temos personagens bem escritos, que se parecem muito com pessoas que vemos no dia-a-dia. Novamente, é outra coisa que faz falta no cinema de terror atual – salvo algumas exceções. No entanto, a melhor personagem é a protagonista, Ginny, interpretada por Amy Steel. Ela é uma ótima personagem, e protagoniza as melhores cenas do filme, principalmente no final, quando fica cara a cara com Jason. Com certeza, é a melhor final girl da franquia.

No entanto, o melhor mesmo é o Jason, e já em sua primeira aparição oficial na franquia, ele está em sua melhor forma. Ao contrário do que veríamos nos filmes seguintes, principalmente após o ator Kane Hodder ter assumido o papel, aqui nós temos um Jason mais caipira, que vive no mato, numa casa improvisada, que usa um macacão e camisa xadrez. Não sei os demais fãs, mas eu gosto mais desse visual do personagem. Além disso, temos também um Jason atlético, que corre pela mata atrás de suas vítimas – assim como foi feito nos dois filmes seguintes – diferente o brucutu que anda calmamente até chegar às vítimas. E claro, não posso deixar de mencionar que, aqui, ele não está com sua clássica máscara de hóquei; ao invés disso, ele adota um saco na cabeça, com um buraco para o olho, e também não temos o clássico facão; temos aqui diversas armas, sendo as mais populares um forcado e uma picareta. E por fim, o rosto do vilão é o melhor da franquia inteira. Sem dúvida, aqui nós temos o melhor visual do personagem de toda a franquia.

Esses são os pontos positivos do filme. Devo também mencionar os efeitos especiais e as cenas de mortes. Infelizmente, aqui não pudemos contar com o mestre Tom Savini, mas o responsável pelos efeitos também fez um ótimo trabalho, e criou cenas de mortes memoráveis, com destaque para a cena da lança, completamente chupada do clássico Banho de Sangue (1971), do Maestro Mario Bava, além da cena da facada no rosto, também chupada do filme de Bava. Sim, o filme não tem muitas cenas de mortes, mas elas são muito boas, por causa dos efeitos especiais e da maneira como foram filmadas. No entanto, infelizmente, elas sofreram cortes da censura, talvez para evitar uma classificação indicativa maior, coisa muito comum na época. Hoje em dia, essas cenas podem ser encontradas na internet.

Mas apesar disso, Sexta-Feira 13 – Parte 2 é um filme muito bom, e além de contar com ótimas cenas de mortes, também conta com cenas bem tensas, principalmente no final. Assim como foi feito no primeiro filme, aqui foram utilizadas câmeras objetivas para simular o POV do assassino, e apenas suas mãos foram mostradas em cena, com uso de planos detalhes e enquadramentos estratégicos, para depois mostrar o vilão por completo nos momentos finais. Além disso, a cena em que a protagonista vê o personagem se aproximando de sua casa por uma janela é arrepiante e me dá calafrios toda vez que eu vejo. Tais técnicas foram utilizadas também nos dois filmes seguintes.

Assim como o anterior, foi distribuído pela Paramount, que possuía dos direitos da franquia, e foi distribuído no exterior, inclusive aqui no Brasil, pelo estúdio, ao contrário do que aconteceu com o primeiro. Foi lançado em VHS e DVD por aqui, mas atualmente está fora de catálogo. Lá fora, recentemente foi lançado em um box gigante em Blu-ray com todos os filmes da franquia; se tal box chegará aqui, talvez nunca saberemos.

Enfim, Sexta-Feira 13 – Parte 2 é um filme muito bom. Uma história redonda, com cenas de mortes memoráveis e momentos de pura tensão, que conta também com uma ótima direção. Um dos melhores da franquia, que fica melhor a cada revisão. A primeira aparição oficial de Jason Voorhees na franquia, em sua melhor forma. Um ótimo exemplo de uma continuação que não fica atrás do filme original e consegue ser tão boa quanto. Altamente recomendado.

Sexta-Feira 13 – Parte 2 (1981)

Acesse também:

https://livrosefilmesdehorror.blogspot.com/

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