CARRIE – A ESTRANHA (1976). Dir.: Brian de Palma.

NOTA: 10

Sinopse:

Carrie White é uma adolescente tímida vítima de gozações de seus colegas de escola. Além disso, é refém das torturas psicológicas da mãe, uma fanática religiosa. No entanto, o que ninguém sabe é que a menina possui poderes telecinéticos, que lhe permitem mover objetos com o poder da mente. Após ser novamente humilhada no Baile de Formatura da sua escola, ela resolve utilizar seus poderes para se vingar.

Carrie – A Estranha, romance de estreia de Stephen King, é um livro fascinante, assustador, chocante e atual. Já em seu primeiro livro, o autor mostrou sua capacidade para contar histórias, e lançou um de seus maiores clássicos. O sucesso do livro foi o suficiente para leva-lo para o cinema.

Lançado em 1976, dois anos após a publicação do livro, CARRIE – A ESTRANHA ainda hoje é a melhor adaptação da obra do autor, e o meu filme favorito do diretor Brian de Palma.  E motivos para isso não faltam.

O filme é um dos maiores clássicos do Cinema e do gênero Terror, e até hoje, é um dos filmes mais assustadores de todos os tempos. Produto da Nova Hollywood, além de ser um clássico, é um filme que para mim, possui uma grande importância, porque eu o vi pela primeira vez em uma época especifica da minha vida. Mais sobre isso adiante.

Bem, seja como for, o fato é que o filme é excelente, e fica melhor a cada revisão, e grande parte disso se deve ao diretor de Palma.

Até hoje, de Palma é considerado um dos maiores cineastas de todos os tempos, e aqui ele dá uma prova disso. O diretor é muito habilidoso com o que faz, e se mostra um excelente diretor de atores. Aliás, esse é um dos grandes trunfos do filme.

De Palma soube escolher seu elenco com perfeição e é possível enxergar os personagens nos rostos dos atores, e infelizmente, isso é o tipo de coisa que faz muita falta hoje em dia.

Outra coisa que chama a atenção no filme é o clima de nostalgia. Na essência, Carrie é uma história de colégio; no entanto, devo confessar que nesse sentido, eu sinto muito mais prazer assistindo o filme, porque as cenas no colégio são muito nostálgicas para mim. Como eu disse, eu assisti esse filme numa época muito especifica da minha vida, durante as férias de Julho; eu vi muito esse filme antes de retornar para a escola, então, o clima de colégio estava muito presente, e toda vez que eu assisto, essa sensação de nostalgia retorna e me deixa muito feliz.

Outra coisa que torna esse filme – o livro também – muito especial, é a própria protagonista. Carrie é uma excluída, vitima de bullying dos colegas e professores da escola. Eu me identificava muito com ela, principalmente com essa solidão e fragilidade que ela mostra na tela. De verdade, era como se eu me visse na personagem toda vez que vejo o filme. É o tipo de coisa que poucos filmes conseguem fazer comigo.

Além de tocar no tema do bullying, a historia também possui momentos chocantes, principalmente envolvendo violência. No livro, isso é muito forte, e o diretor de Palma soube passar isso para a tela. A começar pelo inicio, no vestiário; a cena da menstruação é uma das mais fortes do cinema, principalmente pela performance das atrizes. Sem exceção, todas dão um show de atuação na cena, transmitindo exatamente aquilo que a cena pede. No entanto, os momentos mais pesados ficam nas cenas entre Carrie e sua mãe. Todos os méritos, novamente, vão para as atrizes. Ambas conseguem passar a loucura, a tortura psicológica e o sofrimento descritos nas cenas e com isso, as mesmas ficam muito perturbadoras.

Falando nisso, devo destacar o elenco. De Palma soube escolher seu elenco com perfeição, e até hoje, sempre que assisto, eu consigo visualizar os personagens nos atores, sem o menor esforço. No entanto, quem rouba a atenção são Sissy Spacek e Piper Laurie, como Carrie e sua mãe, respectivamente. Conforme mencionei acima, as atrizes dão um show de atuação, e entregam atuações inspiradas, tanto que ambas receberam indicações ao Oscar®. O restante do elenco também não decepciona, e o melhor, eles não parecem forçados, caricatos ou inadequados.

No quesito técnico, o filme também não decepciona, principalmente a câmera. A câmera de De Palma realiza grandes feitos, principalmente quando se move pelo cenário, com destaque para o Baile de Formatura, em especial a cena da dança e quando as cartelas dos votos são recolhidas. Hoje em dia, talvez tais cenas seriam feitas de outro modo, mas na época, foram necessárias gambiarras para alcançar o resultado que vemos. A trilha sonora, composta pelo cantor italiano Pino Donaggio – colaborador frequente do diretor – é belíssima, principalmente o tema de Carrie e na sequência do incêndio no Baile. E devo destacar também a montagem. Para quem conhece o estilo de De Palma, sabe que ele utiliza técnicas malucas para contar suas historias, com direito a tela dividida e imagens juntas em distancias diferentes no mesmo plano. O mais legal é que na pós-produção, tais cenas são combinadas para criar o efeito, o funciona maravilhosamente. Toda a sequência da vingança de Carrie no Baile foi filmada com tela dividida, e até hoje, eu me pergunto como foi feita e principalmente, como cenas assim são escritas no roteiro. Aliás, devo destacar o take em que o Baile começa a pegar fogo, com Carrie em pé diante do palco contra a luz. É um take lindo!

Sendo um filme de terror, temos muitas cenas assustadoras. Sem duvida, a mais assustadora é a sequência do incêndio do Baile, porque é muito bem feita, com direito a takes chocantes de personagens morrendo – devo destacar aqui a cena em que as portas da quadra se abrem para Carrie sair, enquanto o lugar é tomado pelas chamas. A cena em que Carrie volta para a casa também é assustadora, principalmente por causa da trilha sonora.

Outra coisa que devo dizer é que Carrie é uma história sobre o sangue. Desde o começo, o sangue está presente na tela, mas o ápice é na sequência do Baile, quando a personagem é banhada pelo sangue. Eu digo que é uma das cenas mais tensas e assustadoras do cinema.

Antes de encerrar, devo dizer que o próprio Stephen King ficou muito feliz com o resultado, principalmente com o final, que conseguiu assustá-lo quando ele viu no cinema. Até hoje, ele diz que o filme não envelheceu, e razão ele tem. Até hoje, o filme é um dos maiores clássicos do Terror.

Enfim, Carrie – A Estranha é um clássico do cinema. Um filme verdadeiramente assustador, com atmosfera de nostalgia muito bem feita, e momentos de violência chocante.  Primeira adaptação de Stephen King para o cinema. Um dos Filmes Mais Assustadores de Todos os Tempos. Excelente.

Carrie – A Estranha (1976)

Acesse também:

https://livrosefilmesdehorror.blogspot.com/

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