UMA NOITE ALUCINANTE 3 (1992). Dir.: Sam Raimi.

NOTA: 10

Sinopse:

Ash é acidentalmente transportado para o século XIV após ler o Necronomicon, onde é recebido como o Prometido, que segundo o livro, livraria toda a humanidade do Mal e dos Deadties. Segundo os sábios, o Livro também possui o poder de leva-lo para sua época, mas para isso, Ash precisa encontra-lo e recuperá-lo. Ele encontra o Livro, mas acidentalmente, acaba libertando as forças do Mal e os Deadties, que estão prontos para travar uma batalha no castelo e reaver o Necronomicon para libertar as forças do Mal para sempre. 

Em 1981, o diretor Sam Raimi lançou Evil Dead – Uma Noite Alucinante I – A Morte do Demônio, que se tornou um dos maiores clássicos do cinema de horror de todos os tempos.

O primeiro filme de terror a gente não esquece, não é? Qual foi o primeiro de vocês? O meu foi UMA NOITE ALUCINANTE 3, que encerra a famosa Trilogia Evil Dead, do diretor Sam Raimi, com Bruce Campbell no papel de Ash.

Eu devia ter uns 5 anos quando assisti a esse filme pela primeira vez, provavelmente na TV, e ao invés de me assustar, eu me senti fascinado pelas coisas que vi na tela, principalmente aqueles esqueletos com espadas e escudos, lutando contra o castelo inteiro; e juntamente com isso, algumas outras cenas ficaram na minha cabeça por anos: Ash dentro do poço; o olho saindo de seu ombro; os esqueletos saindo das tumbas e agarrando-o com as mãos… Foi o meu primeiro filme de terror, sem duvida. Por isso, tem um lugar muito especial no meu coração.

Não há duvidas que a Trilogia Evil Dead é conhecida pelo enredo na cabana nas montanhas, mas, Uma Noite Alucinante 3 se difere dos demais por levar a trama para o século XIV, conforme visto no final de Evil Dead II. Esse é o grande mérito do filme, porque, naquela altura, com certeza, não havia mais o que fazer com a trilogia, porque apostar na cabana na floresta e possessão pela terceira vez não seria legal; então, a ação foi transportada para a Idade Média, e, ao invés de espíritos possessores, temos aqui o Exército dos Deadites, composto por esqueletos e cadáveres em decomposição.

Não teria como dar errado, e de fato não deu. E justamente é o grande atrativo do filme, essa mudança de ares. Talvez até pareça estranho, principalmente por causa do título original – Army of Darkness – mas para os fãs isso não incomoda, como é o meu caso. Pelo contrario, é até muito legal ver a mudança de ares da trilogia a partir desse filme, porque, realmente, não havia mais para onde ir.

E assim como Evil Dead II, esse aqui começa com um repeteco dos eventos do filme anterior – aqui, no caso, tudo precisou ser filmado de novo por questões de direitos autorais; apenas o final do filme anterior é mostrado – para deixar o espectador atento e a par do que aconteceu anteriormente. Passado o flashback, somos levados até o filme de verdade. E novamente, outra atriz interpretou Linda, aqui no caso, foi a atriz Bridget Fonda. E aqui as mudanças continuam.

A principal, sem duvidas, é no tom da franquia, que, apostava no terror de verdade, principalmente o primeiro filme. Aqui, temos a alteração para a comédia de fato, com cenas carregadas no humor negro: Ash e suas versões minúsculas; a batalha contra os Deadites, entre outras. Pessoalmente, eu não vejo problemas, porque no filme anterior nós já tivemos uma pitada de humor, e de certo, seria outra coisa que não teria como mudar. O tom de humor funciona muito bem, e se tornou uma característica do próprio diretor, e passou também para a série de TV. As cenas são engraçadas, mas pessoalmente, não são daquelas cenas de arrancar gargalhadas, mas divertem muito.

Mas, vamos falar também das diferentes versões do filme. Não sei qual foi o motivo que levou o filme a ter duas versões diferentes – Versão de Cinema e Versão do Diretor – mas as duas são maravilhosas, mesmo com suas diferenças. A Versão do Diretor é a mais completa, com sequencias e diálogos estendidos e alternativos; já a Versão de Cinema também tem cenas e diálogos alternativos, mas alguns estão incompletos, principalmente nas sequencias do moinho e da batalha no castelo; e claro, temos os famosos finais: a Versão do Diretor termina com um final apocalíptico; enquanto que a Versão de Cinema termina na loja S-Mart. Na minha opinião, as duas versões são maravilhosas, mas se for para escolher, eu prefiro mais a Versão do Diretor. Curiosamente, pelo que me lembro, a versão em VHS optou por juntar as duas. Estranho… Corrijam-me se eu estiver errado.

Independente das versões, é possível ver que aqui temos um Evil Dead com mais orçamento, visto o cenário do cenário e os demais efeitos especiais dos monstros. Temos aqui de tudo: marionetes, maquiagem e fantasias, tudo muito bem feito. Os efeitos dos esqueletos são os melhores e misturam de tudo isso, sendo o Stop-Motion e as marionetes os principais. Além dos esqueletos, temos também a presença reduzida os demônios possessores e novos monstros, além, é claro, da entidade sem rosto que percorre a floresta, e do vilão principal, aqui, uma versão do Mal do protagonista, também interpretado por Bruce Campbell. Os efeitos especiais foram criados pela KNB Effects e por Tony Gardner, nomes conhecidos no gênero do terror.

O vilão principal é um dos atrativos do filme, e de longe, é muito diferente do que já vimos nos filmes anteriores. Diferente porque eu pessoalmente não o considero demoníaco o bastante; ao contrario, é um grande palhaço que garante momentos divertidos.

Conforme mencionado acima, Uma Noite Alucinante 3 tem muitas cenas memoráveis para mim, mas as minhas favoritas são a marcha dos Deadites ao castelo, acompanhado pelo tema musical de Danny Elfman; e a ressureição do vilão principal, num super close de seu rosto.

Antes de encerrar, a Trilogia Evil Dead tem o seu lugar no hall dos filmes de terror de todos os tempos. Todos – principalmente os dois primeiros – são altamente avaliados por sites críticos lá fora e os dois primeiros tem seu lugar na galeria dos filmes de terror mais importantes de todos os tempos. Graças à trilogia, o diretor Sam Raimi hoje tem status em Hollywood e como sabemos, conseguiu dirigir a trilogia do Homem-Aranha e o novo filme do Doutor Estranho. Além da trilogia, temos também a série Ash VS Evil Dead, que se encontra disponível na Netflix. Talvez ainda esse ano, seja lançado o quarto filme da franquia, Evil Dead Rise, que não contará com Sam Raimi na direção e nem Bruce Campbell no elenco, mas ambos estão envolvidos na equipe de produção.

Foi lançado em Blu-ray no Brasil pela Obras-Primas do Cinema com as duas versões, na coleção Trilogia Uma Noite Alucinante, em edição caprichada recheada de material extra. Atualmente, a coleção está fora de catalogo, mas a distribuidora anunciou o lançamento da trilogia em DVD ainda nesse ano.

Enfim, Uma Noite Alucinante 3 é um filme excelente. Divertido, assustador, com cenas memoráveis e momentos de comédia que mudam o tom da franquia. Novamente, a direção e o estilo de Sam Raimi são um dos atrativos, além da presença de Bruce Campbell em papel duplo. Temos aqui novos monstros, além de esqueletos animados em Stop-Motion carregando espadas. Um filme memorável para mim, que tem um lugar especial em meu coração. Excelente. Maravilhoso. Altamente recomendado.

Créditos: Obras-Primas do Cinema

Uma Noite Alucinante 3 (1992).

Acesse também:

https://livrosefilmesdehorror.blogspot.com/

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